Como fazer mint de NFT e ações em jogos sem o usuário pagar gás
Seu jogador não tem BNB para pagar gás e desiste no claim. Como patrocinar mint, claim e recompensa on-chain sem trocar a carteira do usuário.
O jogador chega no claim e para
Um jogador conquistou um item e quer reivindicá-lo. Um colecionador quer mintar. Um usuário de programa de fidelidade quer resgatar um prêmio on-chain. Os três chegam na mesma tela e leem a mesma coisa: saldo insuficiente para a taxa de rede.
Repare no que aconteceu. O usuário fez tudo certo — jogou, acumulou, decidiu agir — e foi barrado por um pré-requisito que não tem relação nenhuma com o seu produto: ter a moeda nativa da rede. Em BNB Chain ou Polygon o valor é de centavos, o que torna a situação pior, não melhor: você perde a conversão por causa de centavos que o usuário não consegue obter sem passar por uma corretora.
Por que isso é mais grave em jogo e colecionável
Em fluxo financeiro o usuário já espera algum atrito. Em jogo, não. O contexto é de entretenimento, a decisão é por impulso, e a janela de atenção é curta.
Três características desse público agravam o problema:
- O valor unitário é baixo. Um item de jogo não justifica, para o usuário, abrir conta em corretora e passar por verificação de identidade.
- A ação é frequente. Não é uma transação por mês, são várias por sessão. Cada uma esbarrando no gás.
- O público é o menos técnico de todos. Quem joga não quer aprender o que é uma rede, muito menos qual delas.
O resultado é conhecido: a mecânica on-chain é desenhada, implementada, e depois quase ninguém chega a usar.
Patrocinar a operação resolve o pré-requisito
Em vez de exigir que o usuário tenha a moeda nativa, você paga a taxa daquela operação. Ele assina — continua sendo o dono e o autorizador — e a transação acontece.
A parte que importa para produto: com o EIP-7702 o usuário não troca de carteira. A conta que ele já usa delega temporariamente a um contrato e passa a suportar a operação patrocinada, mantendo o mesmo endereço. Nenhuma migração, nenhum "crie uma conta nova e mova seus itens para lá" — que num jogo seria pior que o problema original.
Vale a precisão: o gás não deixa de existir. Ele passa a ser seu custo, e em rede de baixo custo isso significa centavos por ação.
O que patrocinar, e o que não
A escolha não é "tudo ou nada". Na prática funciona melhor patrocinar as operações que são porta de entrada e deixar o resto normal:
- Vale patrocinar: o primeiro mint, o claim de recompensa, o resgate de item, a assinatura de entrada num evento. São ações em que o usuário ainda não tem motivo para ter investido nada.
- Não precisa patrocinar: negociação entre jogadores, saque para fora, operações de valor alto. Nesses casos o usuário já está engajado e o gás não é o obstáculo.
Essa separação também controla o custo: você paga onde o retorno é ativação, não onde o usuário já converteu.
Integração
npm install @vkx/gas
O padrão é simples: no momento do mint ou do claim, seu servidor solicita o patrocínio da operação daquele usuário, ele assina no app ou no navegador, e a transação é submetida. A chamada nasce no backend porque é onde fica sua chave secreta.
Se o seu contrato de colecionável segue o ERC-721 ou o ERC-1155 — o padrão usual para item de jogo, por permitir vários itens no mesmo contrato —, não há nada a mudar nele. O patrocínio acontece na camada da transação, não no contrato do ativo.
Proteção contra abuso, que aqui é obrigatória
Jogo atrai automação. Se o mint patrocinado pode ser chamado sem limite, alguém vai escrever um script na primeira semana.
O mínimo viável:
- Um limite por conta e por janela de tempo — não por total.
- Patrocínio restrito às chamadas do seu contrato, nunca a chamadas arbitrárias.
- Vínculo com o estado do jogo: só patrocine o claim de quem de fato conquistou aquele item. A validação é sua, no seu backend, antes de pedir o patrocínio.
O terceiro item é o que costuma faltar. Sem ele, você está pagando pela transação de qualquer um que descubra o endpoint.
Quando isso não é o seu problema
Se o seu público é formado por pessoas que já operam on-chain — traders de NFT, usuários de DeFi —, o gás não é o que as detém. Aí o patrocínio é um custo sem ganho de conversão. O sinal para decidir é simples: veja quantos usuários chegam na tela de claim e não concluem.
Perguntas frequentes
Preciso mudar meu contrato de NFT? Não. O patrocínio atua na transação, não no contrato do ativo. ERC-721 e ERC-1155 existentes continuam como estão.
O jogador precisa instalar outra carteira? Não. Com a delegação do EIP-7702 é a conta que ele já tem que passa a suportar a operação, com o mesmo endereço.
Quem fica dono do item mintado? O usuário. Ele assina a operação; o patrocínio cobre apenas a taxa de rede.
Dá para patrocinar só a primeira operação de cada jogador? Sim, e é uma política comum: patrocinar a entrada e deixar o resto normal.
Quanto custa? O gás real da operação. Em BNB Chain, Polygon, Base e Arbitrum, centavos por transação — o que torna o patrocínio de mint e claim barato em escala de jogo.
Próximo passo
Se você já tem a mecânica on-chain pronta e a conversão morre no claim, o problema provavelmente não é o seu contrato. Veja como implementar o patrocínio, entenda o mecanismo do paymaster ou consulte a página do VKX Gas.
Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.