← Blog
Artigo Oficial • 13 de agosto de 2026

O que é um paymaster e como patrocinar gás (ERC-4337 e EIP-7702)

O que é um paymaster, como ERC-4337 e EIP-7702 resolvem o gás de formas diferentes, e por que a segunda dispensa o usuário de trocar de carteira.

O que é um paymaster

Um paymaster é o componente que paga a taxa de rede no lugar de quem assina a transação. O nome vem da especificação de account abstraction do Ethereum, mas a ideia resolve um problema que qualquer produto Web3 conhece: para fazer qualquer coisa on-chain, o usuário precisa ter a moeda nativa da rede — ETH no Ethereum, BNB na BNB Chain, POL na Polygon. Quem acabou de chegar não tem, e frequentemente não entende por que precisaria.

Um paymaster inverte essa relação. O usuário assina a intenção; outra parte cobre o custo. É importante ser preciso sobre o que isso significa: o gás não desaparece. A rede continua cobrando, e alguém continua pagando — no caso, o patrocinador. O que muda é quem paga e quando.

O problema, em ordem correta

Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas.

A primeira é o custo. Numa rede como a BNB Chain ou a Polygon, uma transferência de token custa centavos. Ou seja, para a maioria dos produtos o custo do gás nunca foi o obstáculo real.

A segunda é a aquisição. Para pagar esses centavos, o usuário precisa comprar a moeda nativa em alguma corretora, passar por verificação de identidade, sacar para carteira e escolher a rede certa. São cinco passos antes do primeiro passo. É aí que a conversão morre — não no valor, mas no percurso.

O paymaster resolve o segundo problema, não o primeiro. Quem patrocina absorve um custo que já era pequeno e elimina um percurso que era caro em desistência.

ERC-4337: o desenho original

O ERC-4337 introduziu account abstraction sem mudar o protocolo do Ethereum. Em vez de transações comuns, o usuário emite uma UserOperation, uma estrutura que descreve o que ele quer fazer e quem paga por isso.

O fluxo tem quatro papéis:

  • Smart Account — a conta do usuário deixa de ser uma chave e passa a ser um contrato, capaz de definir suas próprias regras de validação.
  • Bundler — agrupa várias UserOperations e as envia como uma transação normal.
  • EntryPoint — o contrato singleton que valida e executa cada operação do lote.
  • Paymaster — o contrato que se compromete a pagar. Ele implementa `validatePaymasterUserOp`, onde decide se aceita bancar aquela operação, e `postOp`, chamado depois da execução para acertar contas.

Para funcionar, o paymaster precisa manter depósito e stake no EntryPoint — a garantia econômica de que ele não vai aceitar operações e deixar a conta na mão do bundler. A implementação de referência está no repositório account-abstraction da eth-infinitism.

O desenho é poderoso e permite coisas que uma conta comum não faz: recuperação social, limites de gasto, assinaturas múltiplas, sessões. Ele tem, porém, uma exigência incontornável: o usuário precisa ter uma smart account. Quem já tem carteira precisa criar outra conta, com outro endereço, e mover os fundos para lá. Para um produto que quer reduzir atrito, essa migração é um atrito novo.

EIP-7702: a conta comum ganha superpoderes

O EIP-7702 resolve exatamente esse ponto. Ele cria um tipo novo de transação que carrega uma lista de autorizações: com ela, uma conta comum (EOA) aponta para um contrato e passa a se comportar como ele, mantendo o mesmo endereço e a mesma chave.

Na prática, o código da conta passa a ser um pequeno indicador de delegação que aponta para o contrato escolhido. Toda chamada a essa conta executa a lógica do contrato delegado. A autorização é assinada pelo próprio dono da conta, e pode ser revogada.

A consequência para produto é direta: o usuário não troca de carteira. O endereço que ele já divulgou continua valendo, o histórico continua no lugar, a carteira que ele já usa continua funcionando — e ainda assim ele ganha a capacidade de transacionar sem ter a moeda nativa.

Comparando os dois

ERC-4337EIP-7702
Conta do usuárionova smart accounta mesma EOA que ele já tem
Endereçomudapreservado
Migraçãoobrigatórianenhuma
Infraestruturabundler + EntryPoint + paymastercontrato delegado + patrocinador
Forçaregras de conta muito ricasadoção sem fricção

Os dois não são excludentes: uma conta delegada por 7702 pode participar do fluxo de 4337. A escolha é de engenharia de produto, e depende de onde está seu atrito. Se o valor central é recuperação social e política de assinatura, o 4337 entrega mais. Se o valor central é não pedir nada ao usuário, o 7702 entrega mais.

É por essa razão que a VKX Gas usa o modelo EIP-7702: o serviço existe para remover o passo do gás, e seria contraditório removê-lo cobrando uma migração de carteira em troca.

Como o patrocínio funciona na prática

O modelo é pré-pago. Você mantém um depósito em moeda nativa e um único depósito cobre as redes EVM atendidas — hoje BSC, Polygon, Base, Arbitrum e Ethereum. No momento em que seu usuário vai agir, seu backend pede o patrocínio, a VKX devolve os dados assinados, o usuário assina a operação dele e a transação segue. A cobrança sai do seu saldo, pelo gás real consumido, e parte volta como crédito de cashback usado nas transações seguintes.

npm install @vkx/gas

A integração vive no seu servidor, porque é lá que fica sua chave. O painel de gás mostra saldo, consumo por rede e histórico.

Vantagens e limitações

O que o patrocínio de gás entrega:

  • Remove o pré-requisito de moeda nativa, que é a maior causa de abandono em fluxo on-chain para público leigo.
  • Preserva a autocustódia: quem assina continua sendo o usuário. Patrocinar gás não é custodiar fundo.
  • Torna o custo previsível para você, que passa a tratar gás como linha de custo de aquisição, não como obstáculo de produto.

O que ele não entrega, e que vale dizer com clareza:

  • Não é gratuito. O custo existe e é seu. Em redes de custo baixo isso é trivial; no Ethereum em horário de congestionamento, não é — vale medir antes de patrocinar tudo.
  • Não protege de abuso automaticamente. Se qualquer pessoa pode disparar operações patrocinadas, alguém vai. Limite por usuário, por operação e por janela de tempo faz parte do desenho, não é opcional.
  • Não substitui a moeda nativa em todo caso. Operações que dependem de valor nativo (enviar ETH, por exemplo) continuam exigindo saldo.

Quando faz sentido

Faz sentido quando "você precisa de gás" é a frase que faz seu usuário desistir. Isso aparece em mint de NFT e itens de jogo, em resgate de recompensa em programa de fidelidade, em pagamento em stablecoin e em qualquer onboarding onde a primeira ação do usuário é on-chain.

Não faz sentido quando seu público é formado por usuários que já operam on-chain com naturalidade e já mantêm saldo nativo. Nesse caso o patrocínio resolve um problema que eles não têm.

Perguntas frequentes

Paymaster é a mesma coisa que carteira custodial? Não. Custódia significa que alguém guarda a chave do usuário. No patrocínio de gás a chave continua exclusivamente com o usuário — o patrocinador paga a taxa, não assina em nome dele.

O usuário percebe que houve patrocínio? Ele percebe que a transação aconteceu sem pedir saldo nativo. Nada mais muda na experiência.

Preciso de um depósito por rede? Não. Um depósito único em moeda nativa cobre as redes EVM atendidas.

EIP-7702 funciona em qualquer rede? Funciona nas redes que adotaram a especificação. A lista atualizada de redes atendidas está na página do produto.

Como é o preço? Você paga o gás real consumido, sem remarcação, e parte retorna como crédito. Em redes como a BNB Chain isso significa centavos por transação.

Próximo passo

Se o gás é o que separa seu usuário da primeira ação, veja como implementar o patrocínio ou fale com a engenharia pela página do VKX Gas.

Aviso: este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento.

Comece agora

VKX Wallet

Baixe a VKX Wallet e comece com total segurança.